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Aquilo que só você pode dar
Simplificando muito o assunto, existem duas formas de se enxergar a natureza:
1 - Ela é uma força cega que cria as coisas aleatoriamente;
2 - Existe uma inteligência por trás dos processos.
Particularmente, sigo a linha dos filósofos clássicos que ficam com a segunda opção. O universo é cosmos e segue uma sequência harmônica de leis e ordens nas suas criações, como podemos ver na proporção áurea e em outras áreas da geometria.

Essa mesma inteligência que ordena os astros, nos criou. Ainda que sejamos imperfeitos, seguimos as mesmas leis que regem o universo dentro de nós, e trilhamos um caminho evolutivo como todos os outros organismos vivos.
Como seres pensantes, é natural que usemos modelos mentais para interpretar a realidade e construir nossa vida. Muitas vezes, esses modelos são pessoas reais que nos inspiram. Isso é natural. O problema é quando deixamos de lado nossa originalidade para imitar integralmente outra pessoa.
A natureza criou você
Seguindo nossa linha de raciocínio anterior, se a inteligência por trás da natureza participou da sua criação, isso significa que você tem um lugar no cosmos e uma importância no esquema das coisas.
“Ah, mas eu sou um cientista e não chego aos pés de Einstein”.
Pense comigo: Se essa inteligência quisesse dois Einsteins, ela os teria criado. Mas ela criou você! O que resta é responder à pergunta: O que só eu posso oferecer?
Talvez você não vá descobrir uma teoria da relatividade, mas pode ajudar sua comunidade a ser um lugar melhor.
Talvez você não descubra elementos químicos como Marie Curie, mas pode ser um pai amoroso e ajudar no direcionamento dos seus filhos.
Talvez você não mandará foguetes para o espaço como o Elon Musk, mas pode dedicar sua vida a um ideal nobre e humanista.
O certo é que você é uma expressão dessa mesma essência inteligente que está oculta por trás da vida.
Inspiração é importante
Não querer ser igual não significa não poder se inspirar. Se outros trilharam o mesmo caminho antes de nós, não é lógico seguir seus passos para atingirmos nossas metas?
O problema reside na comparação — é ela que mata. Para isso, vale lembrar o pensamento da filósofa Delia Guzmán:
A única comparação justa que podemos fazer é com nós mesmos ontem.
Também não somos a “última bolacha do pacote”
Certo, nós temos nosso lugar no cosmos e somos importantes, mas não podemos deixar que isso vire soberba.
Se você for bem franco, precisa admitir que o mundo continuará a funcionar praticamente igual se você morrer agora. Lembrando os versos de Fernando Pessoa:
Quando vier a Primavera,
Se eu já estiver morto,
As flores florirão da mesma maneira
E as árvores não serão menos verdes que na Primavera passada.
A realidade não precisa de mim.
Sinto uma alegria enorme
Ao pensar que a minha morte não tem importância nenhuma.
A gente não é tão importante assim, e isso é bom. Tire o peso extra dos seus ombros, não se leve tão a sério. Sorria mais e solte mais os ombros. Mas não se esqueça: ainda que pequenos, cada um de nós tem algo que só ele pode dar. A vida não precisa de cópias, ela precisa de você.
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