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O homem que faltou o trabalho por 10 anos e não perceberam

Já sei, depois de ler o título do e-mail, você deve estar pensando: “só pode ser um funcionário público brasileiro.”

Você acertou. Na verdade, em partes. Ele realmente é um funcionário público, mas espanhol!

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Carles Recio indo para algum lugar (com certeza não o trabalho)

O nome dele é Carles Recio, e seu cargo era de Diretor de Arquivos do Governo da Província de Valência. Seria o equivalente a um funcionário estadual no Brasil.

O Carles chegava no trabalho todos os dias às 7h30, batia o ponto e ia embora. Às 15h30 ele chegava, batia o ponto e ia embora. (Essa história me lembrou do “Senhora! Senhora!” 😂).

Ele recebia um salário de 50 mil euros anuais! (o equivalente a mais de R$ 264 mil). Isso daria uns R$ 22 mil por mês.

Só 10 anos depois os colegas começaram a suspeitar e descobriram o esquema do Carles, mas ele alegava não estar fazendo nada de errado, e dizia que trabalhava em homeoffice.

“Eu faço trabalho documental para o escritório, o trabalho de um escravo.” declarou Carles.

Bordel e Quadrinhos Eróticos

É, o Carles realmente trabalhava, só que em outros ramos.

As autoridades descobriram que ele havia transformado sua casa em um bordel masculino desde 2005. Pressionado pelas acusações, Carles ameaçou revelar a identidade dos clientes do seu bordel, alegando ter tudo gravado. Segundo ele, as revelações comprometeriam vários políticos 😳.

O Carles também trabalhava desenhando quadrinhos eróticos. Uma de suas personagens populares se chama Fallerela - uma super heroína sensual que combatia bandidos em Valência atirando laranjas flamejantes e raios-lasers pela calcinha (wtf bro, essa história é muito aleatória!)

Carlos e sua personagem Fallerela

Consequências jurídicas

Os tribunais espanhóis não encontraram evidência de que Carles fazia o trabalho de escritório que alegava. No entanto, o Estado decidiu não processá-lo, pois entenderam que as ações dele não constituíam crime. Ou seja, virou em pizza! (será que alguém ficou com medo de ser revelado como frequentador do bordel? 🤔).

Ok, para ser honesto, Carles vai enfrentar consequências. Um tribunal administrativo nacional o proibiu de assumir qualquer cargo público pelo resto da vida. Mas vamos combinar que isso é o mínimo, né!?

Cara de pau

Tentando surfar na onda da fama (ou infâmia), Carles embarcou em uma campanha para limpar seu nome.

Ele elaborou uma exposição artística com o título: “Amor por Valência: Os trabalhos de um homem que nunca trabalhou” (esse cara é inacreditável, sério!)

A exposição contava com pinturas, esculturas e até um busto dele. Ainda bem que ele não incluiu a Fallerela.

As obras de “arte” do cara de pau.

Estava tudo pronto para a inauguração quando o Conselho de Valência cancelou o evento. Acontece que eles descobriram em cima da hora que Carles havia reservado o local com um nome falso! 🥴

O caso de García

Bem, você deve pensar que algo bizarro assim seja um evento raro, ainda mais em um país de primeiro mundo. Mas isso já tinha acontecido antes também na Espanha.

Tudo começou quando o vice-prefeito procurou García para lhe dar um prêmio por 20 anos de trabalho leal e dedicado. Ninguém encontrou o homem e descobriram que ele matava o trabalho há 6 anos!

García havia sido designado para supervisionar uma Companhia de Água. Enquanto os funcionários da Companhia achavam que o Governo era responsável por García, o Governo achava que ele estava na Companhia. E o salário caindo todo mês na conta 🤡.

O homem foi processado e condenado em 2011 a pagar uma multa de 30 mil dólares ao Governo. García ainda tentou recorrer. Em sua defesa, ele alegou que sofria bullying no serviço e que lhe deram um cargo com pouco trabalho só por ele ter visões políticas socialistas (?)

Ou seja, você sofre bullying e sua atitude é simplesmente não trabalhar? E ainda ficar seis anos embolsando o dinheiro dos contribuintes da classe trabalhadora? Não me parece uma atitude “socialista”…

Essa história me fez lembrar do livro “O Guia do Mochileiro das Galáxias” onde duas naves são enviadas para colonizar planetas; em uma delas colocaram engenheiros e cientistas, e na outra políticos e advogados. Enquanto o planeta da primeira nave já tinha avanços tecnológicos e civilização, o da segunda estava atolado em burocracia sem conseguir nem acender um fogo.

Essa não é uma crítica a todos os funcionários públicos, até porque eu também sou um e sei que a maioria é trabalhadora. Se você tem um amigo funcionário público, encaminha esse e-mail pra ele!

Se você leu o artigo até aqui, fica uma reflexão: “Se meu supervisor sumisse por 6 anos, alguém daria falta dele?” 😂

Se você curte a nossa news, compartilhe com seus amigos. É só encaminhar esse e-mail!

Até a próxima edição!