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Histórias de Alexandre, O Grande

Representação de Alexandre e seu cavalo, Bucéfalo

Alexandre Magno, conhecido como Alexandre, O Grande, foi uma das figuras mais emblemáticas da história. Famoso pelo seu incansável ímpeto guerreiro e conquistador, o rei tinha uma legião de seguidores fiéis que o admiravam por sempre lutar na linha de frente da batalha e arriscar sua própria vida pelos seus homens.

Mas além de suas qualidades bélicas, Alexandre também era conhecido por seu amor à Filosofia.

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  • Alexandre foi discípulo de Aristóteles, o célebre filósofo grego. No decorrer dos seus anos de formação, o jovem príncipe cultivou um amor profundo às questões humanas. Investigou as relações do homem com o cosmos, a espiritualidade e a arte da política. Talvez isso explique as diversas histórias que foram passadas de geração em geração que retratam Alexandre em momentos de Sabedoria.

Funeral de Alexandre

Dizem que Alexandre possuía três desejos relacionados ao seu funeral.

Ele pediu que os melhores médicos da época carregassem o seu caixão. O objetivo era mostrar a todos que a medicina, por melhor que pudesse ser, é incapaz de conter a morte.

Isso é muito parecido com os ensinamentos de Marco Aurélio — outro imperador que amava a filosofia. Marco dizia que o homem deveria meditar todos os dias sobre a sua mortalidade, lembrando-se de que o tempo de vida é limitado e ele precisa priorizar as coisas que realmente importam.

Alexandre queria que todas as suas riquezas fossem espalhadas pelas ruas para simbolizar a natureza passageira dos bens materiais. Por mais que você possa juntar muito dinheiro e posses, todas essas coisas ficarão para trás no momento da sua partida deste plano. A reflexão que fica é: será que vale mesmo a pena todo esse apego que nossa sociedade tem às coisas materiais?

O imperador pediu que sua mão ficasse para fora do caixão, balançando, para mostrar que chegamos ao mundo de mãos vazias e vamos embora da mesma forma.

Alexandre e Diógenes

Diógenes foi um filósofo cínico grego. Ele tinha o apelido “carinhoso” de O Cão, pois vivia nas ruas sem posses materiais e dormindo dentro de um barril. Ele queria mostrar o total desapego à matéria, e exagerava para deixar evidente à sociedade da época o quão materialista todos poderiam ser.

Contam que a única posse de Diógenes era uma cumbuca para beber água, até que um dia ele viu um garoto usando as mãos para beber do rio e jogou a cumbuca fora.

Certa vez, Alexandre estava na Grécia e queria conhecer Diógenes, dada a fama de grande sábio do filósofo.

Escoltado por seus guardas, o imperador saiu pelas ruas até encontrá-lo sentado ao sol. Chegando lá, Alexandre se apresentou a Diógenes e deu todo seu cartão de visitas: falou das terras que havia conquistado e ofereceu metade das suas riquezas, caso Diógenes aceitasse acompanhá-lo.

Diógenes calmamente respondeu:

“De você não desejo nada, quero apenas que saia da frente do meu sol pois estás me fazendo sombra.”

Estupefatos, os soldados do rei começaram a zombar de Diógenes, mas Alexandre imediatamente os repreendeu, dizendo:

“Se eu não fosse Alexandre, desejaria ser Diógenes.”

Alexandre na Índia

Há uma história menos conhecida que parece ser uma variação da passagem com Diógenes, e é citada no livro “O Espírito do Guerreiro”, de Steven Pressfield.

Conta-se que o destacamento de Alexandre passava por uma rua cheia de “gimnosofistas” (literalmente “sábios nus”). Estes iogues sentavam em meditação profunda nas margens do rio Indo, e como aquele era o seu lugar de costume, não saíam dali.

Os guardas de Alexandre então trataram de expulsá-los do caminho, até que um dos homens se negou a sair.

O imperador foi até o local para ver o que estava acontecendo. O soldado gritava com o iogue:

“Este é O Grande Alexandre, conquistador do mundo! E você, o que conquistou?”

Sem se abalar, o iogue respondeu:

“Eu venci a necessidade de conquistar o mundo.”

Alexandre não teve outra escolha, a não ser rir e sair admirado.

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Até a próxima edição!